Imagine a seguinte cena: você de férias numa praia paradisíaca, curtindo a natureza, degustando pratos deliciosos em boa companhia sem fazer nenhuma postagem sobre isso nas redes sociais. Nada de postar aquela foto do prato de caranguejo com um belo drink ao lado nem fazer stories cheios de gifs mostrando o pôr-do-sol. Pode até ser possível, afinal de contas é preciso se desligar um pouco das redes sociais de vez em quando. Mas fácil não é, já que os hábitos digitais citados acima estão tão incorporados em nosso dia a dia que é difícil desapegar.

Se você tem mais de 20 anos viveu boa parte da sua vida sem nada disso em sua rotina. Isso porque as grandes redes sociais mundiais surgiram há menos de uma década e meia. O Facebook surgiu em 2004, mas foi se tornando a maior rede social existente ao longo dos anos. Já o Instagram é ainda mais jovem, sendo lançado em outubro de 2010. O fato é que você se acostumou a dividir a vida, cada passo dela, com a sua audiência particular, que dá o feedback rápido em forma de curtidas e comentários.

Isso só é possível devido ao grande desenvolvimento da internet e dos meios de acessá-la, com a expansão das redes 3G/4G e os pontos de WiFi espalhados pelas cidades. Se há 15 anos era necessário utilizar um computador conectado à rede por meio de uma linha telefônica doméstica, hoje você está conectado o tempo todo, em qualquer lugar, com muito menos esforço – por meio de smartphones, tablets e até relógios. Assim, os meios de se comunicar evoluíram e desde os murais cheios de “scraps” no finado Orkut, em 2004, até as lives de hoje em dia, uma revolução mudou a sua forma de se relacionar com a internet.

E essa evolução possibilitou a criação de serviços oferecidos aos turistas, por exemplo, que tornam a experiência de viajar mais prática e interessante, o chamado eTourism. Experiências utilizando realidade aumentada, por exemplo, proporcionam aos turistas uma imersão na história de um local ou evento especial por meio de totens ou painéis interativos que permitem o acesso por meio de códigos criptografados, os QR Codes.

A interação começa antes mesmo da viagem, já que pela web inicia o processo de tomada de decisão do turista. Até escolher seu destino, ele tem acesso a sites que comparam preços, relatos de outros viajantes, acessa fotos e vídeos dos hotéis e pontos turísticos e pode fazer consultas e reservas. Pelas redes sociais é possível fazer “passeios” em 360° pelo mundo e diversos aplicativos oferecem navegação pelas ruas, análises de cardápios e roteiros – enfim, a viagem começa antes de sair de casa. A tecnologia avança, o turista passa a ter outros comportamentos e a indústria do turismo precisa se reinventar. A cultura colaborativa de hospedagem (como Airbnb e CouchSurfing) e o amplo acesso a informações trouxeram novas possibilidades e a eliminação das agências de turismo do processo, dando maior autonomia para o turista.

Smartphones

Os smartphones têm um papel importante nessa história. Um estudo realizado pela Google em 2014 ressalta o papel dos celulares na experiência do viajante, sendo usados em todo o processo de uma viagem. O estudo destaca ainda que 56% das pessoas que viajam a lazer utilizam smartphones para decidir sobre atividades a se fazer quando já estão no destino.

Para a pesquisadora na área de Turismo e Tecnologia Daniella Barbosa, houve uma mudança no perfil do consumidor, especialmente impulsionado pelas novas gerações, os chamados nativos digitais, que dominam o processo tecnológico e utilizam o smartphone em todas as suas possibilidades. “O celular hoje é como uma extensão do corpo de um viajante, está presente desde o momento de pesquisa, da tomada de decisão, passando pelo ato da compra até a utilização para a ambientação no destino, a geolocalização por meio de aplicativos e a busca por atrativos. E, é claro, é fundamental para o registro e compartilhamento da experiência”, afirma.

Aliás, se antes as pessoas viajavam e deixavam a casa e os conhecidos para trás, hoje, com a ajuda das redes sociais e de aplicativos de celular, você consegue levar parte disso consigo. Assim dá para curtir a viagem enquanto divide sua experiência com os amigos e acompanha a segurança da sua casa e de seus animais domésticos, por exemplo, por meio de acesso remoto online.

Por Camila Mitye
Equipe ZAP