Em 2011, o governo dos Estados Unidos da América realizou um censo demográfico que trouxe dados sobre a presença da mulher nos campos de trabalho em áreas ligadas à ciência e tecnologia. Chamados de STEM (sigla em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática), estes postos de trabalho são 76% ocupados por homens e 24% por mulheres. Por mais que a presença da mulher nesses campos tenha aumentado nas últimas décadas, ainda há um longo caminho a ser percorrido para que a igualdade de oportunidades e de espaço, uma luta mais atual do que nunca, seja atingida.

E, para celebrar esta data tão importante, o Dia Internacional da Mulher, trazemos histórias de mulheres que foram fundamentais para a evolução da tecnologia, da internet e das telecomunicações. Afinal, sem a contribuição de cada uma delas talvez você não estivesse lendo este artigo neste exato momento. Que continuem sendo inspiradoras.

Ada Lovelace (1815-1852)
Ada Lovelace era filha do famoso poeta Lord Byron e da matemática Anne Isabella Milbanke. Foi dessa mistura que surgiu a “cientista poética”, como ela mesma gostava de se descrever, que é conhecida por ser a primeira pessoa a criar um programa de computador antes mesmo do primeiro existir. Inspirada nos cartões perfurados dos teares mecânicos, Ada pensou em um modo de programar a máquina analítica, uma invenção de seu professor (e futuramente parceiro acadêmico) Charles Babbage. Sua contribuição é reconhecida até hoje e ela ganhou um dia em sua homenagem.

Grace Hopper (1906-1992)
Conhecida como a mãe da programação de computadores, Grace Hopper criou a Cobol, primeira linguagem complexa de computação. Com sua mente matemática, ela serviu a Marinha norte-americana durante a Segunda Guerra Mundial e programou um dos primeiros computadores eletrônicos, o Mark I, que tinha 15 metros de largura. Voltou à Marinha em 1967 e foi a pessoa mais idosa na ativa (aposentou-se pouco antes de completar 80 anos). Na parede de seu escritório pendurou um relógio inverso para se lembrar que as coisas não precisam funcionar só de uma maneira.

Hedy Lamarr (1914-2000)
Nascida Hedwig Eva Maria Kiesler, em Viena, Áustria, Hedy Lamarr tem uma estrela na calçada da fama em Hollywood. Isso porque ela foi uma atriz de cinema dos anos dourados e chegou a ser chamada de “a mais bela mulher em todo o mundo”. Mas Hedy também tinha outra paixão – uma oficina secreta onde inventava engenhocas. Seu talento era tanto que foi capaz de desenvolver, em parceria com o compositor George Antheil, o espelhamento espectral por salto de frequência (FHSS), utilizado primeiramente para controlar torpedos e comunicações militares mas que hoje é a base da tecnologia que usamos diariamente com nossos dispositivos de GPS, smartphones, Wi-Fi e Bluetooth. A bela inventora ganhou prêmios e reconhecimento internacional pelo seu trabalho científico.

Annie Easley (1933-2011)
Criada por uma mãe solteira que sempre a incentivou, Annie Easley encontrou ainda mais barreiras – era negra e cresceu no sul dos Estados Unidos na década de 1930, uma época em que o racismo era dominante. Graduada em Matemática, ela foi uma das primeiras cientistas de foguetes dos Estados Unidos e trabalhou na divisão de veículos de lançamento da NASA. Annie atuou no desenvolvimento de um dos primeiros programas de computador que possibilitaram a navegação espacial, o projeto Centauro. Na década de 1970, com as pesquisas voltadas para a Terra, a cientista criou um programa de computador para medir ventos solares.

*As histórias contadas aqui foram retiradas do livro “As Cientistas – 50 Mulheres que mudaram o mundo”, escrito e ilustrado por Rachel Ignotofsky (Editora Blucher).

Por Camila Mitye
Equipe Zap